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A paralisia do plexo braquial é causada pela lesão do mesmo durante o parto. O plexo braquial é uma rede de nervos que controla o movimento e as sensações no braço. O principal resultado desta lesão é o enfraquecimento ou paralisia dos músculos do ombro, braço e mão. Felizmente, muitas crianças com esta condição recuperam-se completamente de forma espontânea. Algumas, entretanto, persistem com um certo grau de enfraquecimento do braço.

Entre as crianças que não se recuperam espontaneamente, algumas se resolvem somente com tratamentos fisioterapêutico e ocupacional, e outras precisam tanto das terapias como da cirurgia. Crianças que desenvolvem deformidades dos ombros, braços ou mãos podem requerer tratamento ortopédico. Em todos esses casos, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes para assegurar o máximo de melhora.

A paralisia do plexo braquial é diagnosticada na sala de recém-nascidos. O médico principal deve identificar os pacientes e encaminhá-los ao time multidisciplinar de plexo braquial. Durante os primeiros 2 a 6 meses depois do nascimento, os seguintes especialistas do time, indicados na lista abaixo, trabalham juntos para recuperar o funcionamento normal do braço da criança.

obstetra/pediatra:

fazem o diagnóstico

pediatra:

encaminha o bebê ao centro de paralisia do plexo braquial

neurologista e neurocirurgião:

determinam se o bebê tem possibilidades de recuperação total ou se vai precisar de cirurgia

neurocirurgião:

faz a operação neurológica necessária

fisioterapeutas e terapeuta ocupacional:

avalia a função dos braços
faz tratamento visando obter o máximo de recuperação funcional do braço
ensina aos pais as técnicas de exercício físico

cirurgião ortopédico:

opera as crianças de mais de um ano de idade que desenvolvem deformidades no ombro, braço e mão 

pais:

realizam vários exercícios com a criança em casa

 

Este site oferece informações atualizadas sobre a lesão de parto do plexo braquial para os pais, médicos, terapeutas e enfermeiras, e como tratá-la. As informações são baseadas nos relatórios médicos e na nossa própria experiência clínica, sendo nós os únicos responsáveis pela sua exatidão. Por favor, enviem-nos quaisquer perguntas relacionadas com este site a:

 

Brachial Plexus Center
Saint Louis Children’s Hospital, Roon 4S 20
One Children’s Place
Saint Louis, MO 63110-1077
Telefone: (314) 454-2811; Fax (314) 454-2818
e-mail: park@wustl.edu

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Publicações Literárias

História de Documentação na Literatura da Paralisia Obstétrica do Plexo Braquial
Smellie (1768) Primeira Documentação  
Duchenne (1872): Mecanismo da lesão Tração durante o nascimento
Erb (1874): Lesão da raiz do nervo C5-6 "Paralisia de Erb"
Klumpke (1885): Lesão do C8-T1 "Paralisia de Klumpke"
Sever (1925): "Cirurgia não tem papel"  
Gilbert & Tassin: Interesse renovado na Cirurgia  
     

 

O dano do plexo braquial ao nascimento sempre ocorreu, provavelmente, mas o primeiro relato registrado foi a publicação de William Smellie em 1768, sobre ofício de parteira. 

No final do século 19, o neurologista francês, Guillaume Duchenne, descreveu como sendo a causa da lesão, a tração do braço e do ombro durante o parto. Nesta mesma época, o neurologista alemão, Wilhelm Erb, identificou os nervos lesados e os músculos afetados (enfraquecimento dos músculos deltóide, bíceps, coracobraquiais e braquioradiais, causado pela ruptura da raiz dos nervos C5 e C6 – veja a seção “Anatomia”). A enfermidade, conhecida como paralisia de Erb, consiste do braço em extensão, rodado internamente, o pulso em flexão e dedos em extensão (postura conhecida como “waiter’s tip hand”, ou mão de garçom pegando gorgeta de forma discreta). A enfermidade mais rara é a paralisia de Klumpke, onde outros nervos do plexo são afetados (raizes dos nervos C8-T1), comprometendo os músculos da mão e também a pupila do olho do mesmo lado.

A primeira reportagem sobre a cirurgia do plexo braquial ao nascimento foi feita no início dos anos de 1900. Entretanto, na primeira parte do século, na maioria das vezes, o tratamento cirúrgico não foi bem sucedido (veja a publicação de 1.100 casos de Sever, em 1925), com elevado índice de problemas associados ou até mesmo morte, sendo, então, praticamente abandonado. Com o desenvolvimento da técnica de microcirurgia de implante de nervo nos anos de 1970, voltou-se a fazer tratamento cirúrugico, em adultos, de lesão traumática do plexo braquial. Tem-se visto, na última década, o desenvolvimento de tratamento cirúrgico eficaz em lactentes. 

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Prevalência

Quão comum são as paralisias do plexo braquial que ocorrem durante o parto?
Prevalência Total:   0,2 – 2,5 /   1.000 nascimentos
Fraqueza Persistente:   0,4 – 5,0 / 10.000 nascimentos
   

 

A estimativa da prevalência de danos do plexo braquial que ocorrem durante o parto varia de 0,2 a 2,0 para cada 1.000 nascimentos e o enfraquecimento importante do braço persiste em 0,4 a 5,0 para cada 10.000 nascimentos.

Tem-se reportado uma grande diferença entre a prevalência e a persistência do enfraquecimento do braço, devido à lesão do plexo braquial. Esta diferença é, provavelmente, o reflexo da população de pacientes tratados em centros particulares. Por exemplo: um centro de encaminhamento vê a pior das lesões e iria, provavelmente, subestimar a prevalência de lesão do plexo braquial que ocorre durante o parto assim como superestimar a relativa persistência da fraqueza. Deve-se notar, entretanto, que o melhoramento dos cuidados obstétricos não eliminou a possibilidade de ocorrência de lesão durante o parto, principalmente por causa dos fatores de risco inerentes (descrito na próxima seção).

 

Patogênese

O plexo braquial é lesado pela tração no ombro durante o parto. Geralmente, os bebês afetados são grandes, havendo necessidade de usar da força para puxá-los do canal de parto. Quando o ombro é forçadamente pressionado para baixo, o plexo braquial pode ser distendido ou lesado.

Distensão do plexo braquial 
durante o nascimento

O tipo da lesão braquial relaciona-se com o tipo de parto. De acordo com uma publicação, bebês com lesão do plexo braquial superior (paralisia de Erb) são, mais provavelmente, nascidos invertidos de nádegas (parto pélvico) e aqueles, com lesão mais extensa, são, mais provavelmente, nascidos de cabeça primeiro (parto cefálico). Entretanto, a paralisia do plexo braquial pode ocorrer mesmo numa cesariana.

O parto e os tipos de lesões do plexo braquial  

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Parto pélvico:   73% das lesões do C5-6
Parto cefálico:

  88% das lesões do C5-7
  96% das lesões do C5-T1

 

 

Em certos bebês os problemas já existem mesmo antes do nascimento sem que o obstetra possa prevê-los ou corrigi-los. Os exemplos de fatores de risco são:

  • tamanho grande do bebê (peso de mais de 8lb 13 oz, ou seja,  mais de 4 quilos)
  • parto pélvico
  • mãe com história de múltiplos partos
  • segundo estágio de parto prolongado
  • obesidade materna
  • gravidez prolongada (mais de 42 semanas)
  • diabete materna
  • parto com intervenção cirúrgica semi-pélvica
  • parto com uso de vácuo ou fórceps

Estes fatores aumentam as chances de shoulder dystocia de um ombro num parto complicado e cuja lesão pode ocorrer quando os ombros do bebê ficam presos no canal de parto durante o nascimento.

Uma mãe, que já teve uma criança com lesão do plexo braquial, acha-se em risco, significantemente maior do que a população geral, de ter uma outra criança com a mesma enfermidade.

Tipos de lesão

Paralisia do plexo braquial superior (de Erb)

Esta condição se deve à lesão da parte superior do plexo nervoso. Acompanhando a paralisia total do plexo braquial, esta é a forma mais comum da enfermidade. Estes bebês não conseguem mover o ombro e seus braços permanecem extendidos e rodados internamente, dando a aparência de “waiter’s tip hand” (mãos de gorgeta de garçom). Frequentemente, estes bebês não conseguem mover o braço logo depois do nascimento, mas começam a mover os dedos e o pulso em algumas semanas. Porém, o enfraquecimento nos movimentos do ombro e do cotovelo persiste.

Paralisia total do plexo braquial

Nestas crianças o plexo braquial está totalmente afetado. Bebês com lesão total do plexo braquial não tem movimento nenhum do braço, pulso ou mão; o braço fica flácido. Este tipo de lesão, cujo tratamento é mais difícil, é mais comumente associado com o deslocamento da raiz nervosa do cordão espinhal.

Paralisia do plexo braquial inferior

A lesão do plexo braquial inferior isolada é excessivamente rara e não temos experiência de nenhum caso.  Tipicamente, o plexo braquial inferior é envolvido fazendo parte de uma lesão mais extensa como a lesão total do plexo braquial.

Lesões bilaterais

O plexo braquial pode sofrer danos em ambos os lados do corpo, embora estes casos sejam muito raros. As lesões bilaterais podem ser confundidas com outros problemas como a lesão do cordão vertebral.